O Outono...no chão...
Por João Sampaio
Percursos Impares do Nordeste
Adoro o Nordeste Transmontano, melhor, dou razão a Torga quando ele chama a Trás-os-Montes, o Reino Maravilhoso…
Por razões de vida, há 20 anos rumei para o Centro e instalei-me em terras do Nabão, onde à medida que os dias passavam a minha nostalgia permanecia presa a esta terra que também por razões de vida voltou a contar comigo mais perto, e desse modo tem contribuído para ir conhecendo mais em pormenor este Reino Maravilhoso, onde a alma se renova e o olhar se extasia.
Sem dúvida que a grande cidade tem ritmos próprios, e as aldeias e vilas nordestinas têm também ritmos que dão sentido aos dias. Ainda há uns dias passei por Samil e entrei em S.Pedro de Sarracenos e fiquei deslumbrado com a beleza daqueles lugares, como também fiquei quando passei pela Horta da Vilariça em direcção a Carrazeda de Ansiães, e de Vide contemplei o Vale da Vilariça…tamanha beleza!
Quem vive em Bragança de certo que não dará muito valor à paisagem que se avista do percurso à volta de S. Bartolomeu…mas eu acho que tal percurso é digno de ser admirado por mais pessoas. Penso que até um comboio turístico teria muito interesse e a autarquia e outras instituições bem poderiam fazer tal aquisição, pois, estou convicto que na Primavera e Verão não faltariam interessados em fazer o circuito turístico de S. Bartolomeu com a devida explicação aos passeantes sobre a flora, fauna, casario e património que se avista à medida que o comboio rola sobre o asfalto, já que o outro deixou de rolar sobre os carris, prenúncio da sua extinção total, a par agora da construção da barragem do Tua…e daqui a uns anos a paisagem transmontana e a duriense em particular estará toda alterada e o néctar dos deuses terá por certo outro sabor.
Recentemente fui à Casa de Tormes, onde Eça de Queirós se inspirou para escrever o romance a Cidade e as Serras, e a paisagem é outra dimensão de beleza que nos faz entrar numa outra dimensão cósmica que dá enlevo ao espírito.
Só que há um problema, a sinalização no país e sobretudo nesta nossa região não abunda e quantas vezes se fazem campanhas promocionais e nunca se pensa a sério numa sinalização promotora das riquezas naturais e patrimoniais de forma adequada…Espero que as Juntas de Feguesia se abram a esta necessidade e promovam a riqueza que só a sensibilidade e os olhos da alma valorizam…
De certeza que há gente que nunca foi ao Castelo e pessoas que nunca contemplaram a cidade de Bragança desde S. Bartolomeu, mas gostos não se discutem só que o gosto também se cultiva e educa.
Neve, amendoeiras, giestas brancas e roxas floridas, pessegueiros, macieiras floridas, castanheiros despedidos, um manancial de cor para alimento do olhar quantas vezes cansado de tanto “olhar” para a TV.
Miguel Torga destacou S. Leonardo de Galafura, e dizem que tinha razão para isso mas o Reino Maravilhoso é espectacular por diversos motivos…Vamos a isso… Defender as nossas riquezas humanas e patrimoniais é um imperativo regional, nacional e mundial porque temos tesouros únicos que precisam de uma permanente salvaguarda."
In Mensageiro Noticias/Bragança