"Vila Real // “Tenho os defeitos e as virtudes de um transmontano” Por: / Secção: Cultura / 23.11.09
José Rentes de Carvalho criticou o “novo riquismo” instalado no Douro
Define-se como um “transmontano de coração”, mas vive há mais de 50 anos na Holanda, mais concretamente,
É mais conhecido e vende mais livros na Holanda do que na sua Pátria, mas isso não o “incomoda”, porque para ele não “importa onde se é conhecido, mas como se é conhecido”. Viveu e continua a viver em Amesterdão, mas grande parte das suas obras retratam Trás-os-Montes e Alto Douro, porque foi ela que o “formou”. “Posso andar por toda a parte, mas tenho os defeitos e as virtudes de um transmontano”, confessou.
Olha de fora a evolução de Portugal e da região, sem quaisquer influências e não deixa de criticar o que se tem feito. “Envergonho-me que estejam a gastar dinheiro em spas e restaurantes de cinco estrelas no Douro, para onde ninguém vai. É uma estupidez, mas é o novo riquismo.” E acrescentou ainda, com “pasmo”, que o País “sempre foi e sempre vai ficar assim, com descuido, preguiça, atraso”. “Só é bom o Sol e o Douro.”
Já passou por muitas cidades europeias, conheceu várias culturas, mas isso “não influenciou” o modo de descrever as histórias dos seus livros. “A minha escrita não tem a ver com lugares ou com as pessoas com quem lido. Não é inspiração, é só trabalho”, salientou José Rentes de Carvalho.
As suas obras são consideradas como “romances e autobiografias”, porque são “pedaços de reminiscências, experiências e conhecimentos”. A “Amante Holandesa” trata muito de Bragança e “quem lê diz que o distrito está retratado tal e qual, mas eu não o conheço”, mencionou, não querendo desvendar o segredo. “Tenho vivido a parasitar nas minhas memórias.”
“Ernestina” é outra das obras sobre a região transmontana, em particular sobre a aldeia de Estevais,
Neste momento, José Rentes de Carvalho confessou que se “está a espreguiçar” e que, de vez em quando, “surge um livro”. A sua mais recente obra, editada em 2008, retrata o País onde vive e intitula-se “A Ira de Deus sobre a Holanda”."
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