quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Respigámos...com a devida vénia!

"Vila Real // “Tenho os defeitos e as virtudes de um transmontano” Por: Ana Teixeira / Secção: Cultura / 23.11.09


José Rentes de Carvalho criticou o “novo riquismo” instalado no Douro

Define-se como um “transmontano de coração”, mas vive há mais de 50 anos na Holanda, mais concretamente, em Amesterdão. Nas “Conversas na Vila Velha”, foi questionado sobre tudo e a tudo respondeu, com uma ironia inteligente, que cativou as mais de quatro dezenas de pessoas que encheram o pequeno auditório do Museu da Vila Velha, em Vila Real. A sua obra literária, as suas preferências, o seu olhar sobre o País e a região transmontana foram os principais temas abordados na sessão e na conversa com o Mensageiro.

É mais conhecido e vende mais livros na Holanda do que na sua Pátria, mas isso não o “incomoda”, porque para ele não “importa onde se é conhecido, mas como se é conhecido”. Viveu e continua a viver em Amesterdão, mas grande parte das suas obras retratam Trás-os-Montes e Alto Douro, porque foi ela que o “formou”. “Posso andar por toda a parte, mas tenho os defeitos e as virtudes de um transmontano”, confessou.

Olha de fora a evolução de Portugal e da região, sem quaisquer influências e não deixa de criticar o que se tem feito. “Envergonho-me que estejam a gastar dinheiro em spas e restaurantes de cinco estrelas no Douro, para onde ninguém vai. É uma estupidez, mas é o novo riquismo.” E acrescentou ainda, com “pasmo”, que o País “sempre foi e sempre vai ficar assim, com descuido, preguiça, atraso”. “Só é bom o Sol e o Douro.”

Já passou por muitas cidades europeias, conheceu várias culturas, mas isso “não influenciou” o modo de descrever as histórias dos seus livros. “A minha escrita não tem a ver com lugares ou com as pessoas com quem lido. Não é inspiração, é só trabalho”, salientou José Rentes de Carvalho.

As suas obras são consideradas como “romances e autobiografias”, porque são “pedaços de reminiscências, experiências e conhecimentos”. A “Amante Holandesa” trata muito de Bragança e “quem lê diz que o distrito está retratado tal e qual, mas eu não o conheço”, mencionou, não querendo desvendar o segredo. “Tenho vivido a parasitar nas minhas memórias.”

“Ernestina” é outra das obras sobre a região transmontana, em particular sobre a aldeia de Estevais, em Mogadouro. Neste livro, usa as “memórias da família e da sua infância” para descrever com “dureza” a terra que “nada tinha”, como as fracas acessibilidades e as dificuldades em “ganhar o pão de cada dia”.

Neste momento, José Rentes de Carvalho confessou que se “está a espreguiçar” e que, de vez em quando, “surge um livro”. A sua mais recente obra, editada em 2008, retrata o País onde vive e intitula-se “A Ira de Deus sobre a Holanda”."

in Mensageiro Noticias