
"Pelo lobby GAI
Por: Calado Rodrigues
Os últimos dez anos vieram tornar mais evidente o declínio do distrito de Bragança. Foram muitas as promessas para inverter essa situação que já se desenhava em décadas anteriores. Os anos noventa decretaram o fim da estação ferroviária e encerraram-se com a promessa solene do Engenheiro Guterres de colocar Bragança no mapa. Nas sucessivas campanhas eleitorais muito se falou da discriminação positiva. Prometeu-se a Universidade e a Auto-estrada. Desenharam-se investimentos privados megalómanos, mas tudo se esboroou, qual castelo de cartas. Entramos no século XXI e Bragança continuou refém do século XX. Aquele em que ainda conheceu algum apogeu com o regresso dos retornados e o aumento de população graças à sangria das aldeias e vilas do distrito. Assim se disfarçou a sua evidente decadência, que viria a agudizar-se com a continuação de uma estratégia centralista do Estado de tudo levar para o litoral e falta de empenhamento dos autóctones em lutarem pela sua terra, encontrarem formas de pressão junto do poder central e centralizador, bem como de se associarem e inovarem no lançamento de inovadoras estratégias de desenvolvimento local. A culpa não é só dos de fora. Chegados a 2010, já não se consegue disfarçar, por mais que se tente, a derrocada que se veio a acentuar com a crise internacional, que chegou tarde mas chegou e promete ficar por mais algum tempo. A crise afectou o único sector que ainda mantinha alguma pujança, a construção civil. Estima-se que Bragança terá perdido mais de mil trabalhadores ligados a este sector. Entretanto, paulatinamente, outros serviços estão a ser retirados da cidade, sem que ninguém se aperceba nem reaja. Já vamos ficando habituados. Há dias deparei com um aviso na sede do Instituto do Desporto de Portugal, que os serviços tinham sido concentrados em Vila Real, deixando de haver delegação em Bragança. Menos mal que foi para Vila Real, o mais normal era ter ido para o Porto ou para Braga. Os serviços prisionais estão a proceder a uma reestruturação a nível de Trás-os-Montes, que tem esvaziado o Estabelecimento Prisional de Bragança, ficando somente com os regimes abertos. Até os preventivos são deslocados de cá, com evidentes transtornos para aqueles que os queiram visitar. Será esta uma estratégia para encerrar a Cadeia de Bragança? Vamos continuar a assistir impávida e serenamente a esta triste involução? Entretanto, o país discute o casamento dos homossexuais e o governo com as forças de esquerda vangloriam-se de terem acabado com essa ignominiosa discriminação. E a discriminação a que todo o interior do país é votado? Essa não conta? Os homossexuais não tinham acesso ao casamento, no interior milhares de pessoas têm o acesso dificultado à saúde, à educação, à cultura, à justiça e com esses ninguém se preocupa. Esses não contam? Temos de aprender com o lobby Gay, que tantas conquistas tem conseguido e criar o nosso lobby GAI, Gente Abandonada à Interioridade, para ver se finalmente conseguimos que se inverta a discriminação, bem negativa, do Interior."
Por: Calado Rodrigues
Os últimos dez anos vieram tornar mais evidente o declínio do distrito de Bragança. Foram muitas as promessas para inverter essa situação que já se desenhava em décadas anteriores. Os anos noventa decretaram o fim da estação ferroviária e encerraram-se com a promessa solene do Engenheiro Guterres de colocar Bragança no mapa. Nas sucessivas campanhas eleitorais muito se falou da discriminação positiva. Prometeu-se a Universidade e a Auto-estrada. Desenharam-se investimentos privados megalómanos, mas tudo se esboroou, qual castelo de cartas. Entramos no século XXI e Bragança continuou refém do século XX. Aquele em que ainda conheceu algum apogeu com o regresso dos retornados e o aumento de população graças à sangria das aldeias e vilas do distrito. Assim se disfarçou a sua evidente decadência, que viria a agudizar-se com a continuação de uma estratégia centralista do Estado de tudo levar para o litoral e falta de empenhamento dos autóctones em lutarem pela sua terra, encontrarem formas de pressão junto do poder central e centralizador, bem como de se associarem e inovarem no lançamento de inovadoras estratégias de desenvolvimento local. A culpa não é só dos de fora. Chegados a 2010, já não se consegue disfarçar, por mais que se tente, a derrocada que se veio a acentuar com a crise internacional, que chegou tarde mas chegou e promete ficar por mais algum tempo. A crise afectou o único sector que ainda mantinha alguma pujança, a construção civil. Estima-se que Bragança terá perdido mais de mil trabalhadores ligados a este sector. Entretanto, paulatinamente, outros serviços estão a ser retirados da cidade, sem que ninguém se aperceba nem reaja. Já vamos ficando habituados. Há dias deparei com um aviso na sede do Instituto do Desporto de Portugal, que os serviços tinham sido concentrados em Vila Real, deixando de haver delegação em Bragança. Menos mal que foi para Vila Real, o mais normal era ter ido para o Porto ou para Braga. Os serviços prisionais estão a proceder a uma reestruturação a nível de Trás-os-Montes, que tem esvaziado o Estabelecimento Prisional de Bragança, ficando somente com os regimes abertos. Até os preventivos são deslocados de cá, com evidentes transtornos para aqueles que os queiram visitar. Será esta uma estratégia para encerrar a Cadeia de Bragança? Vamos continuar a assistir impávida e serenamente a esta triste involução? Entretanto, o país discute o casamento dos homossexuais e o governo com as forças de esquerda vangloriam-se de terem acabado com essa ignominiosa discriminação. E a discriminação a que todo o interior do país é votado? Essa não conta? Os homossexuais não tinham acesso ao casamento, no interior milhares de pessoas têm o acesso dificultado à saúde, à educação, à cultura, à justiça e com esses ninguém se preocupa. Esses não contam? Temos de aprender com o lobby Gay, que tantas conquistas tem conseguido e criar o nosso lobby GAI, Gente Abandonada à Interioridade, para ver se finalmente conseguimos que se inverta a discriminação, bem negativa, do Interior."
Fonte:in MN,editorial
Sem comentários:
Enviar um comentário