quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Quebra de 40 por cento

"Trás-os-Montes
Quebra de 40 por cento
na produção de azeite

Este ano a produção deverá ficar entre as 15 a 20 mil toneladas
A Associação de Olivicultores de
Trás-os-Montes e Alto Douro (AOTAD)
espera um ano complicado
no que toca ao rendimento. “Pode
haver mais toneladas de azeitona
,mas vai haver menos toneladas de
azeite”, afirma o presidente daquela
Associação que representa cerca de
dez mil olivicultores.
António Branco fala numa perda
de 15 a 20 mil toneladas, relativamente
às 90 mil que habitualmente
se produzem na região. “Este ano estamos
a pensar que andaremos pelas
70 a 75 mil toneladas. Mas a campanha
ainda não acabou e pode ser
ainda pior. De forma global, apontamos
uma redução entre os 35 e os 40
por cento”, refere. Mas, “temos azeite
de qualidade e estamos esperançados
em ganhar mais alguns prémios
internacionais”, adianta.
O presidente da AOTAD explica
que tudo se deve a uma “conjugação
negativa de factores”, referindo-se,
às geadas de 2007 que afectaram
grande parte do património olivícola
regional e reduziram de forma
significativa a produção média da
região. Depois de um início de ano
seco que prejudicou o rendimento
e provocou uma acentuada diminuição
da produção, agora foram
as recentes condições climatéricas
que vieram acentuar ainda mais as
dificuldades dos olivicultores regionais.
“A dificuldade em aceder aos terrenos
e a queda da azeitona vieram
transformar o final da campanha
num pesadelo e acentuar o desânimo
e desespero de uma fileira”,
conta o dirigente agrícola, acrescentando
que nesta região transmontana
ainda existem os problemas das
lavras, feitas no Verão, que tornam
os terrenos mais húmidos. “Lavrase
demais, gasta-se muito dinheiro
em gasóleo”, explica António Branco,
para quem apanhar a azeitona
à mão é praticamente impossível”.
“Um quilo de azeitona custa 30 cêntimos.
São precisos dois para pagar
um café. Para andar um dia inteiro
e apanhar individualmente 50 quilos
não compensa se não for mecanizado”.
A AOTAD defende, por isso, uma
alteração nos hábitos dos produtores,
que passam pela mecanização e antecipação
da apanha da azeitona.
Espalhados por Trás-os-Montes estimam-
se que existem cerca de 80
mil hectares de olival, onde é colhida
cerca de 50 por cento da azeitona
portuguesa e produzido um terço do
azeite nacional. Das três principais
regiões produtoras de azeite de Portugal,
apenas Trás-os-Montes prevê
uma quebra na produção relativamente
a 2008. No Alentejo estimase
um aumento de produção de 20
por cento na campanha deste ano,
enquanto que na Beira Interior promete
ser a melhor colheita dos últimos
anos."
Fernando Pires
Fonte:in Mensageiro Noticias

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