domingo, 31 de janeiro de 2010

O Carnaval Pelo Nordeste Transmontano

Podence prepara-se para mais uma festa de magia


"De 14 a 16 de Fevereiro as ruas de Podence, Macedo de Cavaleiros, vão uma vez mais encher-se da magia dos caretos. Som, cor e a sensação de termos mergulhados nas mais profundas raízes da nossa ancestralidade, eis o que qualquer visitante poderá fruir nestes dias de autentica farra colectiva.

Na edição de 2010 estão já programadas uma série de acções de animação de rua para usufruto de todos aqueles que durante este período visitarem a localidade. Bailaricos populares, passeios de burro, merendas tradicionais, exposições de fotografia, uma batida ao javali, pregão casamenteiro, desfile de marafonas, são, entre outras, as iniciativas que recheiam o PROGRAMA do Entrudo Chocalheiro deste ano.

O evento tem-se imposto de forma crescente nas restantes regiões portuguesas, sendo este ano motivo de interesse da RTP. No dia 15 de Fevereiro o canal público vai estar em Directo de Podence através do programa "Portugal no Coração", para fazer a cobertura integral daquele que já é considerado um dos maiores e genuínos Carnavais do nosso país."

Fonte:Notícias do Nordeste

Municípios transmontanos e espanhóis unem-se em agrupamento de cooperação

jms

"(AECT) ZASNET
Bragança

Está formalmente constituído o Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) ZASNET que agrega três associações de municípios do distrito de Bragança e outros tantos da província de Castela e Leão em Espanha.

A escritura foi formalizada esta quarta-feira em Bragança.

Dos cerca de seis agrupamentos de cooperação territorial já constituídos na União Europeia, este é o primeiro com sede em Portugal e engloba as Associações de Municípios da Terra Fria, Terra Quente e Douro Superior, do lado português.

Em Espanha, participam as Diputaciones de Zamora e Salamanca e o Ayuntamiento de Zamora.

O autarca de Bragança considera que este agrupamento traz muitas oportunidades de desenvolvimento às duas regiões fronteiriças.

“Muita da política de proximidade aos cidadãos vai ser promovida através do AECT’s, mas para além da oportunidade de utilizar fundos comunitários também há políticas próprias de âmbito local e regional que têm de ser partilhadas em estratégias conjuntas” refere Jorge Nunes, acrescentando que “no futuro será mais fácil reunir empresários em fóruns de reflexão, promover feiras conjuntas, os actores da saúde poderão partilhar serviços de proximidade, avaliar as questões de mobilidade como é o caso de transportes fronteiriços que não existem”.

Para o presidente do AECT, Fernándo Martínez Maillo, esta cooperação tem de definir linhas estratégicas de actuação que passem pela criação de emprego e fixação de população.
“Estes projectos vão traduzir-se em obra e claro que isso vai gerar recursos económicos e riqueza para os dois lados do território” afirma, salientando que em consequência “isso vai traduzir-se em postos de trabalho e fixação de população que tanto necessitamos”.

O presidente da Diputación de Zamora espera que haja dinheiro comunitário para financiar alguns projectos.Fernándo Martínez Maillo diz mesmo que esta é uma vantagem da criação do agrupamento. “Sem dúvida que temos de ter dinheiro para executar os projecto mas neste momento não sabemos quanto”. “Juntos podemos conseguir mais, ser mais eficazes e eficientes na gestão desses recursos” realça.
As linhas estratégicas do AECT vão ser defindidas na proxima assembleia geral do agrupamento que está marcada para Março."

Fonte:Brigantia, 2010-01-28

Opinião Respigada...com a devida vénia!

"Outra vez não
2010-01-18

A compra da TVI e agora o caso de Marcelo Rebelo de Sousa mostram que afinal Manuela Ferreira tinha toda a razão. Quando a líder do PSD o denunciou, estávamos de facto a viver um processo de "asfixia democrática" com este socialismo que José Sócrates reinventa constantemente. Hoje o garrote apertou-se muito mais. Ridicularizámos Ferreira Leite pelos avisos desconfortáveis e inconvenientes. No estado de torpor em que caímos provavelmente reagiríamos com idêntica abulia ao discurso da Cortina de Ferro de Winston Churchill quando o mundo foi alertado para a ameaça do totalitarismo soviético que ninguém queria ver. Hoje, quando se compram estações para silenciar noticiários e se afastam comentadores influentes e incómodos da TV do Estado, chegou a altura de constatar que isto já nem sequer é o princípio do fim da liberdade. É mesmo o fim da liberdade que foi desfigurada e exige que se lute por ela. O regime já não sente necessidade de ter tacto nas suas práticas censórias. Não se preocupa sequer em assegurar uma margem de recuo nos absurdos que pratica com a sua gestão directa de conteúdos mediáticos. Actua com a brutalidade de qualquer Pavlovitch Beria, Joseff Goebbels ou António Ferro. Se este regime não tem o SNI ou o Secretariado Nacional de Propaganda, criou a ERC e continua com a RTP, dominadas por pessoas capazes de ler os mais subtis desejos do poder e a aplicá-los do modo mais servil. Sejam eles deixar que as delongas processuais nas investigações dos comportamentos da TVI e da ONGOING se espraiem pelos oceanos sufocantes do torpor burocrático, seja a lavrar doutrina pioneira sobre a significância semiótica do "gestalt" de jornalistas de televisão que se atrevam a ser críticos do regime, seja a criar todas as condições para a prática de censura no comentário político, como é o caso Marcelo Rebelo de Sousa. Desta vez, foi muito mais grave do que o que lhe aconteceu na TVI com Pais do Amaral. Na altura o Professor Marcelo saiu pelo seu pé quando achou intolerável um reparo sobre os conteúdos dos seus comentários. Agora, com o característico voluntarismo do regime de Sócrates, foi despedido pelo conteúdo desses comentários. Nesta fase já não é exagerado falar-se da "deriva totalitária" que Manuela Ferreira Leite detectou. É um dever denunciá-la e lutar contra ela. O regime de Sócrates, incapaz de lidar com as realidades que criou, vai continuar a tentar manipulá-las com as suas "novilínguas" e esmagando todo o "duplipensar" como Orwell descreve no "1984". Está já entre nós a asfixia democrática e a deriva totalitária. Na DREN, na RTP, na ERC, na TVI e noutros sítios. Como disse Sir Winston no discurso da Cortina de Ferro: "We surely, ladies and gentlemen, I put it to you, surely, we must not let it happen again", o que quer apenas dizer: outra vez não...
Mário Crespo, in JN.PT
Moita flores


"Impressão Digital

Uma conversa torta

Quando o tema da corrupção vem à baila, são poucos aqueles que não têm opinião. E a maioria opina para dizer disparates e soltar velhos e novos rancores, mas quase todos pedindo meças ao património moral em que assenta o seu discurso, indignação, insulto ou proposta.


Quem olha o espectáculo à distância não deixa de perceber que o circo que se montou a propósito dos crimes associados ao poder são tretas de muita parra e fraca uva. A começar pelas eufóricas iniciativas partidárias apresentando mais este e mais aquele crime, denunciando mais esta e mais aquela patifaria, algumas delas bem longe de se provar que o sejam, apenas servindo para boa retórica e conversa fiada. E do que vi, estamos, mais uma vez, perante um embuste. Muito politicamente correcto, mas não passando de um punhado de areia que se atira para os olhos de quem nada percebe destes assuntos.

O problema dos crimes de poder, o fundamental, aquele que enquanto não for resolvido faz de tudo aquilo que se disse esta semana na Assembleia da República uma mera tempestadezinha num copinho de água, tem um nome: rapidez. Para que este debate seja sério, é a primeira questão a resolver: como vamos agilizar, acelerar os mecanismos processuais para que crimes desta natureza, depois de denunciados, sejam rapidamente julgados ou arquivados. Não se conhece uma megafraude ligada às funcionalidades dos vários poderes que tenha sido julgada no prazo de um ano após a sua denúncia. Nem uma! Das centenas que ficaram conhecidas pelo caso Fundo Social Europeu, a esmagadora maioria prescreveu.

O Freeport tem mais de seis anos, e nada. Operação Furacão, estamos a zeros. A Face Oculta ainda nem começou a sério e já lá vão largos meses de notícias. O caso BPN é aquilo que se vê. O caso BPP nem se vê. E por aí adiante. A culpa é dos magistrados? Não. Dos polícias? Não. A culpa é do poder político que não criou, e já se percebeu que ainda não é desta que vai criar, os instrumentos necessários para fazer de qualquer processo desta índole um caso não apenas badalado por causa das escutas, buscas, acusações, acções que ao serem noticiadas só resultam em verdadeiros assassinatos do carácter e da honra dos intervenientes.

É raro um crime de homicídio, de assalto, de violação não estar em julgamento mais ou menos um ano depois de resolvido. Será que não percebem, ou não querem perceber? Ou não interessa perceber porque não é igual para os crimes de poder? Poeira, façam muita, mas não nos tomem a todos por parvos."

Francisco Moita Flores, Professor Universitário
Fonte: in Correio da Manhã

sábado, 30 de janeiro de 2010

Visita do Papa a Portugal

"Programa Visita Papal

Televisões chegam a acordo para a transmissão da visita papal

As televisões portuguesas chegaram a acordo para a transmissão da visita de Bento XVI ao nosso país. Após um encontro com a coordenação geral da viagem, ficou definido que a RTP será responsável pela passagem por Lisboa, a TVI assumirá a emissão em Fátima e a SIC no Porto.
A visita de Bento XVI a Portugal irá decorrer de 11 a 14 de Maio de 2010, com paragens nas três cidades referidas. Além dos encontros com as autoridades políticas do nosso país, o programa, apresentado oficialmente esta Segunda-feira, irá realçar três sectores: o mundo da cultura, os sacerdotes e as organizações de pastoral social.
Programa
11 de Maio
Lisboa
11h00 - Chegada ao aeroporto da Portela.
12h45 - Cerimónia de boas vindas, no Mosteiro dos Jerónimos
13h30 - Visita de cortesia ao Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, no Palácio de Belém
18h15 - Celebração da Missa, Terreiro do Paço
12 de Maio
Lisboa
10h00 - Encontro com o mundo da cultura, no Centro Cultural de Belém
12h00 - Encontro com o Primeiro-Ministro, na Nunciatura Apostólica.
16h40 - Partida de helicóptero para Fátima
Fátima
17h30 - Chegada à Capelinha das Aparições
18h00 - Vésperas com padres, religiosos, seminaristas e diáconos na igreja da Santíssima Trindade
21h30 - Recitação do Rosário e a Procissão das Velas. Eucaristia presidida pelo Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano
13 de Maio
Fátima
10h00 - Missa da Peregrinação Internacional Aniversária
13h00 - Almoço com os Bispos de Portugal
17h00 - Encontro com os membros de organizações da Pastoral Social, na igreja da Santíssima Trindade
18h45 - Encontro com os Bispos de Portugal, na Casa de Nossa Senhora do Carmo
14 de Maio
Fátima
08h00 - Despedida da Casa de Nossa Senhora do Carmo
Porto
09h30 - Chegada ao heliporto da Serra do Pilar, em Gaia
10h15 - Missa na Avenida dos Aliados.
13h30 - Cerimónia de despedida no Aeroporto Internacional do Porto,
14h00 - Partida do avião da TAP"
(www.agencia.ecclesia.pt)

Assembleia Intermunicipal da CIMDOURO

No próximo dia 8 de Fevereiro o Museu do Douro, na Cidade do Peso da Régua, vai ser palco da reunião em que vai ser instalada a Assembleia Intermunicipal da Comunidade Intermunicipal do Douro e a eleição da Mesa.
Segundo apurou o Arauto de Carrazeda de Ansiães durante a 1.ª sessão extraordinária da Assembleia Intermunicipal os membros vão apreciar e deliberar sobre as Grandes Opções do Plano 2010-2013, o Orçamento e o Mapa de pessoal para 2010 da CIMDOURO.
Esta ainda agendado apreciar e deliberar sobre a proposta do Conselho Executivo de designação do Secretário-Executivo e sua remuneração.
Por volta das 12horas está prevista que seja feita a assinatura dos contratos de financiamento dos empreendimentos aprovados pela CIMDOURO ao abrigo da delegação de competências da Autoridade de gestão do ON2.
João Manuel Sampaio, dos Independentes Carrazeda Primeiro, Hugo Alves, do PSD e João Lima, Presidente da AM, do PS são os representantes da AM de Carrazeda de Ansiães, na AI da CIMDOURO.
Para eles boa sorte e uma boa representatividade.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Com a devida Vénia!

"terça-feira, 26 de Janeiro de 2010
Theodor Adorno e a educação para o pensar autónomo

Filósofo alemão defende uma formação humanística, capaz de criar a consciência crítica

por Fernando Cassaro
Revista Nova Escola – 11/2009
in http://planetasustentavel.abril.com.br/


"Theodor Adorno (1903-1969) dedicou a vida ao entendimento dos processos de formação do homem na sociedade. O filósofo e sociólogo alemão foi um dos fundadores da Escola de Frankfurt, corrente de pensamento do início da década de 1920 fundamentada na ideologia marxista. Adorno teve um papel importante na investigação das relações humanas. Queria entender a lógica da burguesia industrial para defender mudanças na estrutura social e, com esse propósito, acabou entrando no terreno da Pedagogia - apesar de não ser considerado por especialistas como um teórico da área (veja o quadro abaixo).

Para entender o pensamento de Adorno em relação à Educação, é importante compreender as críticas que ele faz à indústria cultural, vista como a responsável por prejudicar a capacidade humana de agir com autonomia. O tema foi tratado pela primeira vez em 1947 no livro A Dialética do Esclarecimento, que ele escreveu em parceria com Max Horkheimer (1895-1973), também da Escola de Frankfurt. Os autores explicam que a consciência humana é dominada pela comercialização e banalização dos bens culturais - fenômeno batizado posteriormente de "semiformação".

"Adorno afirma que há um processo real na sociedade capitalista capaz de alienar o homem das suas condições de vida", explica Rita Amélia Teixeira Vilela, doutora em Educação pela Universidade de Frankfurt e professora da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). É nessa discussão que está a chave para entender a crítica adorniana à escola: para o autor, a crise da Educação é, na verdade, a crise da formação cultural da sociedade capitalista como um todo.

Na opinião dele, o problema da Educação está no fato de ela ter se afastado de seu objetivo essencial, que é promover o domínio pleno do conhecimento e a capacidade de reflexão. A escola, assim, se transformou em simples instrumento a serviço da indústria cultural, que trata o ensino como uma mera mercadoria pedagógica em prol da "semiformação". Essa perda dos valores, segundo o autor, anula o desenvolvimento da autorreflexão e da autonomia humana. "Adorno critica a escola de massa por ela, segundo ele, instalar e cultuar a massificação. O resultado disso é a deformação da consciência", diz Rita Amélia.

Numa escola em que impera a banalização do conhecimento, o aluno é induzido a deixar de ler com profundidade as principais obras literárias, por exemplo, dando lugar à absorção de apenas alguns trechos necessários para responder aos exercícios escolares. "São repassados nada mais do que conhecimentos fragmentados e o trabalho pedagógico está somente orientado para conseguir a aprovação em exames e um diploma", afirma Rita Amélia. Seria a famosa "decoreba" de respostas prontas, em vez do estímulo ao raciocínio.



A EDUCAÇÃO COMO FERRAMENTA PARA A EMANCIPAÇÃO



À primeira vista, pode parecer que Adorno era contra a Educação. Pelo contrário. As críticas ao processo pedagógico são consequência do reconhecimento pelo autor da capacidade que ela tem de transformar as relações sociais. Fica evidente em sua obra a defesa de um projeto de libertação do homem por meio da formação acadêmica, porém uma formação de amplitude humanística. Para Adorno, o ensino deve ser uma arma de resistência à indústria cultural na medida em que contribui para a formação da consciência crítica e permite que o indivíduo desvende as contradições da coletividade.

O autor defende um processo educacional capaz de criar e manter uma sociedade baseada na dignidade e no respeito às diferenças. Segundo ele, o mundo estaria danificado pela falta de capacidade dos indivíduos de resistir ao processo de sua própria alienação. Mesmo quando a Educação considerada ideal estiver limitada e condicionada a uma realidade nada promissora, Adorno prega um projeto pedagógico que consiga libertar da opressão e da massificação.

O caminho para isso é formar um indivíduo culto, com conhecimentos científicos, humanos e artísticos, preparado para uma vivência democrática. "A perspectiva sociológica de seu pensamento fazia com que ele considerasse a escola como a instituição capaz de formar o homem não dominado, pleno de autonomia de pensamento e ação em todas as instâncias da vida social", diz Rita Amélia. "Esse homem resistiria ao processo de massificação e de adaptação cega à ordem estabelecida."

Adorno acredita que a cultura da sociedade capitalista impõe um mecanismo de construção da heteronomia (ou seja, a sujeição do individuo à vontade de terceiros), fazendo o homem ser igual ao coletivo e perder, assim, sua individualidade. Sob esse ângulo, o indivíduo perde a capacidade de pensar e agir por conta própria e, consequentemente, de ser solidário e respeitar o próximo. Na opinião dele, somente essa alienação poderia explicar uma situação tão grave como a barbárie presente na sociedade - Adorno utiliza o Holocausto e os campos de concentração como símbolos máximos da selvageria humana.



OS CAMINHOS DE ADORNO

Um democrata de esquerda



A Escola de Frankfurt foi fundada em 1924 com o nome de Instituto para a Pesquisa Social por Max Horkheimer (1895-1973), Herbert Marcuse (1898-1979), Friedrich Pollock (1894-1970), Erich Fromm (1900-1980), Felix Weil (1898-1975) e Theodor Adorno.

Mesmo com ideais marxistas, eles negavam a "Ditadura do Proletariado" e defendiam a democracia. Combatiam qualquer forma de governo totalitário e acreditavam que a tolerância era o único meio de criar relações sociais plurais, solidárias e justas. Foram os criadores dos conceitos de indústria cultural e cultura de massa.

Adorno partilhava ideias com filósofos alemães. Como Immanuel Kant (1724-1804), acreditava que o homem deve usar a razão para agir sobre o seu destino. Tal qual Friedrich Nietzsche (1844-1900), alertava para a incapacidade da civilização ocidental de buscar a própria libertação.



BIOGRAFIA

Da crítica musical para a Teoria Crítica



Theodor Ludwig Wiesengrund Adorno nasceu em 11 de setembro de 1903, em Frankfurt, Alemanha. De uma família bem-sucedida, formou-se em Sociologia, Filosofia e Artes. Filho de uma cantora lírica, estudou piano e, entre 1921 e 1932, publicou cerca de 100 artigos sobre crítica e estética musical. Aos 21 anos, tornou-se doutor em Filosofia e participou da criação da Escola de Frankfurt. Sete anos depois, tornou-se professor da Universidade de Frankfurt.

Por ser judeu, foi proibido de lecionar pelos nazistas e, em 1934, fugiu para Londres. Em 1941, mudou-se para Los Angeles, nos EUA, e só voltou à Alemanha em 1949. Foi reintegrado à universidade e ali lecionou até sua morte, em 6 de agosto de 1969.

A filosofia de Adorno é marcada pela crítica à sociedade de mercado, voltada para o progresso técnico. Entre suas principais obras estão A Dialética do Esclarecimento, A Ideia de História Natural, Dialética Negativa e Teoria Estética.



Bibliografia:

Dialética do Esclarecimento, Max Horkheimer e Theodor Adorno, Ed. Jorge Zahar, tel. (21) 2108-0808

Educação e Emancipação, Theodor Adorno, Ed. Paz e Terra, tel. (11) 3337-8399, Indústria Cultural e Sociedade, Theodor Adorno, Ed. Paz e Terra

Teoria Estética, Theodor Adorno, Ed. 70



Theodor Adorno (1903-1969) dedicou a vida ao entendimento dos processos de formação do homem na sociedade. O filósofo e sociólogo alemão foi um dos fundadores da Escola de Frankfurt, corrente de pensamento do início da década de 1920 fundamentada na ideologia marxista. Adorno teve um papel importante na investigação das relações humanas. Queria entender a lógica da burguesia industrial para defender mudanças na estrutura social e, com esse propósito, acabou entrando no terreno da Pedagogia - apesar de não ser considerado por especialistas como um teórico da área (veja o quadro abaixo).

Para entender o pensamento de Adorno em relação à Educação, é importante compreender as críticas que ele faz à indústria cultural, vista como a responsável por prejudicar a capacidade humana de agir com autonomia. O tema foi tratado pela primeira vez em 1947 no livro A Dialética do Esclarecimento, que ele escreveu em parceria com Max Horkheimer (1895-1973), também da Escola de Frankfurt. Os autores explicam que a consciência humana é dominada pela comercialização e banalização dos bens culturais - fenômeno batizado posteriormente de "semiformação".

"Adorno afirma que há um processo real na sociedade capitalista capaz de alienar o homem das suas condições de vida", explica Rita Amélia Teixeira Vilela, doutora em Educação pela Universidade de Frankfurt e professora da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). É nessa discussão que está a chave para entender a crítica adorniana à escola: para o autor, a crise da Educação é, na verdade, a crise da formação cultural da sociedade capitalista como um todo.

Na opinião dele, o problema da Educação está no fato de ela ter se afastado de seu objetivo essencial, que é promover o domínio pleno do conhecimento e a capacidade de reflexão. A escola, assim, se transformou em simples instrumento a serviço da indústria cultural, que trata o ensino como uma mera mercadoria pedagógica em prol da "semiformação". Essa perda dos valores, segundo o autor, anula o desenvolvimento da autorreflexão e da autonomia humana. "Adorno critica a escola de massa por ela, segundo ele, instalar e cultuar a massificação. O resultado disso é a deformação da consciência", diz Rita Amélia.

Numa escola em que impera a banalização do conhecimento, o aluno é induzido a deixar de ler com profundidade as principais obras literárias, por exemplo, dando lugar à absorção de apenas alguns trechos necessários para responder aos exercícios escolares. "São repassados nada mais do que conhecimentos fragmentados e o trabalho pedagógico está somente orientado para conseguir a aprovação em exames e um diploma", afirma Rita Amélia. Seria a famosa "decoreba" de respostas prontas, em vez do estímulo ao raciocínio.



A EDUCAÇÃO COMO FERRAMENTA PARA A EMANCIPAÇÃO



À primeira vista, pode parecer que Adorno era contra a Educação. Pelo contrário. As críticas ao processo pedagógico são consequência do reconhecimento pelo autor da capacidade que ela tem de transformar as relações sociais. Fica evidente em sua obra a defesa de um projeto de libertação do homem por meio da formação acadêmica, porém uma formação de amplitude humanística. Para Adorno, o ensino deve ser uma arma de resistência à indústria cultural na medida em que contribui para a formação da consciência crítica e permite que o indivíduo desvende as contradições da coletividade.

O autor defende um processo educacional capaz de criar e manter uma sociedade baseada na dignidade e no respeito às diferenças. Segundo ele, o mundo estaria danificado pela falta de capacidade dos indivíduos de resistir ao processo de sua própria alienação. Mesmo quando a Educação considerada ideal estiver limitada e condicionada a uma realidade nada promissora, Adorno prega um projeto pedagógico que consiga libertar da opressão e da massificação."

Publicada por Paula Salgado em 18:59 0 comentários
Etiquetas: Educação , in SER INTEIRO BLOG