Mudanças com Metáforas na Educação
Por João Nicolau Carvalho*
As metáforas e contos são ferramentas importantes na educação. A humanidade, em sua fase oral, utilizava os contos, os adágios, as parábolas, as metáforas, para ensinar às gerações mais jovens, a história e estórias de sua própria gente, dos antepassados míticos e heróicos. Os modernos conceitos de metáfora, baseado na obra de Milton Erickson, adotados pela PNL, incluem símeles, parábolas, alegorias ou figuras de linguagem que impliquem uma comparação. Mas as histórias, fábulas e parábolas constituem suas formas mais evoluídas.
As metáforas comunicam indiretamente. E é um processo de linguagem que consiste em fazer uma substituição analógica. Metáforas simples fazem simples comparações: "meter a mão em cumbuca, feio como o diabo, fazer das tripas coração". Metáforas complexas são histórias com diversos níveis de significado. "Uma metáfora contada de maneira clara e simples distrai a mente consciente e ativa a procura inconsciente de significados e recursos" (O'CONNOR, Joseph e SEYMOUR, John. Introdução à programação neurolingüística. São Paulo: Summus, 1995). Quer dizer, revelam elementos ocultos que apenas o inconsciente pode perceber e utilizar.
As metáforas podem adotar várias formas, dependendo do efeito que se deseja, do conteúdo que se quer veicular, do tempo disponível, do interlocutor ou de grupo de ouvintes. Alguns tipos de metáforas que interessam à educação:
As imagens. São rápidas e simples. Ilustram bem o oral e o escrito. No fundo é uma palavra ou frase que muda de sentido: pegar o touro a unha; ficar de nariz torcido; tapar o sol com a peneira.
As comparações. Também são imagens. Contêm, no entanto, um elemento comparativo: fumar como uma chaminé, beber como um gambá.
Os provérbios. São máximas ou sentenças de caráter prático e popular, comum a todo um grupo social, expressa em forma sucinta e geralmente rica em imagens: quanto maior a nau, maior a tormenta; gato escaldado tem medo de água fria.
As anedotas e as citações. São relatos sucintos de fatos jocosos ou curiosos vividos por outros e citados entre aspas, pelo autor do discurso ou do texto: "Isto me faz pensar na pergunta que fulano fez durante…"; "Como teria dito o professor de português…".
Os mitos e os contos. Histórias imaginárias, geralmente de origem popular, que colocam em cena heróis que encarnam forças da natureza ou aspectos da condição humana durante incidentes que não teriam acontecido, mas que fazem parte do inconsciente coletivo: o mito do paraíso perdido, as mitologias greco-romanas, os contos de fada.
Narrações, parábolas, histórias. São formas metafóricas mais completas e complexas. Para gerar mudanças no interlocutor a história há que possuir formas semelhantes à realidade vivida por ele.
Como funcionam as metáforas
Uma metáfora apresenta "um equilíbrio sutil entre, por um lado, a especificidade dos elementos nela incluídos, a fim de persuadir o interlocutor ou leitor da semelhança entre a história e a sua própria situação e, por outro lado, uma certa imprecisão, lacunas no conteúdo, "jogo" (no sentido mecânico da palavra), para que ele aceite a metáfora e receba dentro do seu próprio modelo de mundo. (LONGIN, Pierre. Aprenda a liderar com a programação neurolingüística, Rio de Janeiro: Qualitymark, 1996.)
O professor deve deixar lacunas no índice referencial: "Em um país longínquo…", "Era uma vez um velho rei…". Trabalhar com verbos inespecíficos: chegar, dizer, fazer, discutir, etc. e com nominalizações: espírito, sabedoria, esperança, santidade, amor, verdade, etc. Disfarçar as determinações ou sugestões, colocando-as a boca de personagem: "Eu não sabia, mas o cordeiro sabia!".
Como se cria uma metáfora para mudança pessoal
José Carlos Mazilli in "Manual de Programação Neurolingüística", (São Paulo: Edição do Autor, 1996) descreve da seguinte maneira a criação de uma metáfora:
1. O primeiro passo para se criar uma metáfora é saber o estado atual e o estado desejado do ouvinte. A metáfora será a história ou a jornada de um ponto para o outro.
2. Decodifique os elementos de ambos os estados: pessoas, lugares, objetos, atividades, tempo, sem perder de vista os sistemas representacionais e submodalidades de cada um desses elementos.
3. Escolha um contexto adequado para a história. De preferência um que seja interessante, e substitua os elementos do problema por outros elementos, porém mantendo a relação entre eles.
4. Crie a trama da história de maneira que ela tenha a mesma forma do estado atual e conduza-a, através da estratégia de ligação, até a solução do problema (o estado desejado) sem passar pelo hemisfério esquerdo, indo direto ao inconsciente.
*João Nicolau Carvalho professor universitário, Trainer em PNL, Coach certificado.
Fonte:www.metaforas.com.br
sexta-feira, 23 de abril de 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
Respigámos...na Blogosfera!
"sábado, 17 de abril de 2010
Incentivar ou verificar?
Incentivar a leitura, conforme sabemos, é uma atitude que precisa ser reforçada, não só pelos professores, mas também pela família. É fato comprovado que crianças provenientes de lares em que os pais são leitores, tornam-se também alunos mais interessados por livros. Também é fato que quem lê mais, possui maior facilidade de aprender. Muitos são os textos publicados ressaltando a importância do hábito de leitura.
Porém no momento de verificar se nossos alunos estão apreciando ou entendendo as obras literárias que lhes são apresentadas, muitas são as dúvidas sobre que estratégias empregar.
Algumas das que utilizo na E. M. Emílio de Vasconcelos Costa são: "rodas de leitura", nas quais nos sentamos em algum lugar, preferencialmente fora da sala de aula, em que cada um relata sobre o livro que leu durante a semana. Convidados (não alunos) são bem-vindos ao círculo e contribuem com relatos, opiniões, que na maioria das vezes, deixam os alunos encantados. Professores, diretor, auxiliar de biblioteca, cantineiras, pedagogo, todos são convidados a contar um pouquinho sobre suas leituras. Observei que essa atividade contribui enormemente para o desenvolvimento oral, desinibição e promove maior interesse pelos livros. Pode ser realizada com todas as séries
As fotos que ilustram este post são de uma atividade que realizei com os alunos do 6º ano. Depois de alguns relatos orais, que como mencionei, mostram bons resultados, partimos para o que chamamos "propaganda" do livro. A ideia era cada aluno convencer, chamar, conquistar novos leitores para aquele livro através de uma propaganda. As técnicas empregadas pelos alunos, além de frases que causassem interesse e curiosidade, foram as belas ilustrações, o capricho. Poucos trabalhos tiveram que ser refeitos.
Renovar, criar, recriar. É necessário variar as estratégias, pois a repetição, por mais que um trabalho tenha sido válido, causará desgaste ao invés de motivação para novas leituras.
Vários colegas me perguntam sobre a "ficha de leitura". Hoje evitada por ser considerada obsoleta, creio que até mesmo ela, em determinados momentos, pode ser um bom instrumento. Deve ser evitada como forma única de se trabalhar a leitura, visto que ela não eleva o gosto pela leitura, se não houver uma remodelagem do estilo tradicional de aplicá-la.
Outras formas de trabalho serão mostradas aqui, à medida que forem realizadas. Dicas e sugestões também serão aceitas de colegas de profissão e de todos os que tiverem ideias que nos ajudem a ampliar o universo cultural dos discentes, através da leitura ou outros eventos.
“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina"."
Cora Coralina
Fonte: Blog Nossas ideias, nossas palavras-Postado por Cida às 08:45 0 comentários
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Barroco de estilo nacional na Diocese de Bragança, Miranda do Douro
Domingo , 18 de Abril DE 2010
"Vimioso: Paulo José Fernandes Lopes, "Mestre em História da Arte em Portugal"
Uma das figuras de grande importância para a história da arte em Portugal, sem dúvida encontra-se em um mestre, PAULO JOSÉ FERNANDES LOPES. Transmontano, nascido em Carção/Vimioso, uma vila ou aldeia milenar, o que atraiu esse ilustre mestre a encarar os estudos e concentrar-se em todas as artes seculares desde a época dos Celtas, da antiga Lusitânia, dos romanos, mouros, da era inicial do Portugal arcaico, ao Portugal moderno e deste maravilhoso e eterno Portugal do presente.
Paulo José Fernandes Lopes, nascido nessa terra maravilhosa de Carção, Trás-os-Montes, a qual traz em seu bojo histórias fantásticas desde quase 3.000 anos, vivenciadas pelos Celtas e através dos tempos por outras etnias, teve momentos históricos fantásticos, como a expulsão dos judeus e dos mouros no século XVI, no qual para ficarem em Portugal ocasionou a mudança de seus nomes, optanto essas raças por nomes de plantas, frutas e animais pelo judeus, e locais, profissões e o prefixo "AL" pelos mouros, tornando os seus nomes de nascimento em nomes conhecidos em Portugal até a data presente.
Na sua formação academica, Paulo José Fernandes Lopes tem um "currículo" extenso, mostrando a todos nós a sua vida intelectual, após passar por várias escolas, de 2000 a 2004, Escola Superior de Educação Jean Piaget/Nordeste, como em 2002 na Escola EB de Rebordãos-Bragança, curso de Prática Pedagógica, licenciatura em educação visual e tecnológica, como também na Escola EB de Vale da Porca/Macedo de Cavaleiros e de Vimioso, todos do mesmo estudo. Em 2004, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, alcançou o MESTRADO, com a dissertação de "O Barroco de estilo Nacional na Região da Terra Fria-Concelhos de Bragança, Miranda do Douro, Vimioso e Vinhais". E desde Setembro de 2008, que irá até Setembro de 2010, "Doutouramento" com as dissertações do "Barroco de estilo nacional na Diocese de Bragança, Miranda do Douro- Concelhos de Freixo de Espada à Cinta, Mogadouro, Torre de Moncorvo, Bragança, Miranda do Douro, Vimioso, Vinhais, Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Macedo de Cavaleiros, Mirandela e Vila Flor".
Desde o ano de 2005, Paulo vem transmitindo a sua intelectualidade para as novas gerações, embora ele tenha tão somente 32 anos de idade, já é um conhecido mestre da história da arte em Portugal, lecionando em vários estabelecimentos escolares e nos Açores em 2005 e 2006, na Escola Básica da Lagoa, lecionou "Educação Visual e Tecnológica", e lá mesmo nos Açores de 2006 a 2007, lecionou Educação Artística e Tecnologia na Escola Secundária Domingos Rebelo, em Ponta Delgada, como também de 2007 a 2008 nos Açores na Escola EBI da Maia em São Miguel lecionou Educação Visual e Tecnológica, e agora desde Setembro de 2009, como professor e Diretor de turma, leciona também Educação Visual e Tecnologica, na Escola E.B. 1.2.3.S de Mogadouro.
Nas suas atividades literárias e sociais, Paulo José Fernandes Lopes, tem um extenso curriculo, como seja: de 2000 a 2006, foi dirigente do Centro Desportivo e Cultural de Carção, em 2002, fundou a ASSOCIAÇÃO CULTURAL DOS ALMOCREVES DE CARÇÃO, onde de 2002 a 2004 foi o seu presidente, em 2002 fundou a revista "ALMOCREVE - UM RETRATO DAS GENTES DE CARÇÃO", sempre participando em todas edições anuais dessa revista, com editoriais, artigos, crônicas e toda a arte necessária para essa fantástica revista, uma revista de primeiro mundo. Em 2003, na Escola Superior de Educação Jean Piaget/Nordeste, com as "Primeiras Jornadas de Cimema Científico", onde participou também em 2003 na "Concepção e realização dos materiais de suporte para o encontro internacional-educação, políticas educativas e multiculturismo", como também em 2004, nessa escola superior, atividades da Feira da Saúde inserida no programa "Macedo Mostra" e ainda na "Ação de Formação do profissionalismo docente-concepções e práticas de formação e em 2005, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com o VII Colóquio Luso-Brasileiro de História da Arte.
Nas suas competências técnicas, tem aptidões artísticas na Educação, Arte, História, Design, Política, Economia, Marketing, Música, Desporto, Informática e Ciências.
Como dirigente e editor da revista ALMOCREVE, escreveu artigos e editoriais sobre temas como: O culto de Judeus em Carção; Igreja de Santa Cruz; Inquisição - Poder Politico em nome de Deus; A Naveta e o Turibulo de Carção; Carção, um lugar central de comércio na segunda metade do século XX; Cultura Popular. Em Agosto de 2008, fez o Prefácio do livro Carção, a Capital do Marranismo" de António Júlio Andrade e Maria Fernanda Guimarães.
Como vemos estamos diante de um "Mestre de História da Arte em Portugal", transmitindo e criando associações e revistas culturais e participando com editoriais e artigos, crônicas, prefácios, lecionando nos mais lindos recantos desse nosso Portugal, estudando e formando-se em uma das maiores universidades do mundo, a grandiosa "Faculdade de Letras da Universidade do Porto" e nós aqui no Brasil, recebemos e transmitimos e enviamos as revistas por ele editadas para todos os recantos deste grande Brasil, como também, o nosso maravilhoso jornal Mundo Lusíada publicou e estampou fotos dessa maravilhosa revista "Almocreve", criação dessa magistral figura do mestre PAULO JOSÉ FERNANDES LOPES, para honra e glória do nosso querido e eterno PORTUGAL.
Adriano da Costa Filho
Membro da Casa do Poeta de São Paulo, Movimento Poético Nacional, Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores, Academia Virtual Poética do Brasil, Ordem Nacional dos Escritores do Brasil, Associação Paulista de Imprensa, Associação Portuguesa de Poetas/Lisboa e escreve quinzenalmente para o Jornal Mundo Lusíada.
Fonte: Mundo Lusíada
publicado por India às 08:57, in Diário de Bragança,sapo.pt
"Vimioso: Paulo José Fernandes Lopes, "Mestre em História da Arte em Portugal"
Uma das figuras de grande importância para a história da arte em Portugal, sem dúvida encontra-se em um mestre, PAULO JOSÉ FERNANDES LOPES. Transmontano, nascido em Carção/Vimioso, uma vila ou aldeia milenar, o que atraiu esse ilustre mestre a encarar os estudos e concentrar-se em todas as artes seculares desde a época dos Celtas, da antiga Lusitânia, dos romanos, mouros, da era inicial do Portugal arcaico, ao Portugal moderno e deste maravilhoso e eterno Portugal do presente.
Paulo José Fernandes Lopes, nascido nessa terra maravilhosa de Carção, Trás-os-Montes, a qual traz em seu bojo histórias fantásticas desde quase 3.000 anos, vivenciadas pelos Celtas e através dos tempos por outras etnias, teve momentos históricos fantásticos, como a expulsão dos judeus e dos mouros no século XVI, no qual para ficarem em Portugal ocasionou a mudança de seus nomes, optanto essas raças por nomes de plantas, frutas e animais pelo judeus, e locais, profissões e o prefixo "AL" pelos mouros, tornando os seus nomes de nascimento em nomes conhecidos em Portugal até a data presente.
Na sua formação academica, Paulo José Fernandes Lopes tem um "currículo" extenso, mostrando a todos nós a sua vida intelectual, após passar por várias escolas, de 2000 a 2004, Escola Superior de Educação Jean Piaget/Nordeste, como em 2002 na Escola EB de Rebordãos-Bragança, curso de Prática Pedagógica, licenciatura em educação visual e tecnológica, como também na Escola EB de Vale da Porca/Macedo de Cavaleiros e de Vimioso, todos do mesmo estudo. Em 2004, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, alcançou o MESTRADO, com a dissertação de "O Barroco de estilo Nacional na Região da Terra Fria-Concelhos de Bragança, Miranda do Douro, Vimioso e Vinhais". E desde Setembro de 2008, que irá até Setembro de 2010, "Doutouramento" com as dissertações do "Barroco de estilo nacional na Diocese de Bragança, Miranda do Douro- Concelhos de Freixo de Espada à Cinta, Mogadouro, Torre de Moncorvo, Bragança, Miranda do Douro, Vimioso, Vinhais, Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Macedo de Cavaleiros, Mirandela e Vila Flor".
Desde o ano de 2005, Paulo vem transmitindo a sua intelectualidade para as novas gerações, embora ele tenha tão somente 32 anos de idade, já é um conhecido mestre da história da arte em Portugal, lecionando em vários estabelecimentos escolares e nos Açores em 2005 e 2006, na Escola Básica da Lagoa, lecionou "Educação Visual e Tecnológica", e lá mesmo nos Açores de 2006 a 2007, lecionou Educação Artística e Tecnologia na Escola Secundária Domingos Rebelo, em Ponta Delgada, como também de 2007 a 2008 nos Açores na Escola EBI da Maia em São Miguel lecionou Educação Visual e Tecnológica, e agora desde Setembro de 2009, como professor e Diretor de turma, leciona também Educação Visual e Tecnologica, na Escola E.B. 1.2.3.S de Mogadouro.
Nas suas atividades literárias e sociais, Paulo José Fernandes Lopes, tem um extenso curriculo, como seja: de 2000 a 2006, foi dirigente do Centro Desportivo e Cultural de Carção, em 2002, fundou a ASSOCIAÇÃO CULTURAL DOS ALMOCREVES DE CARÇÃO, onde de 2002 a 2004 foi o seu presidente, em 2002 fundou a revista "ALMOCREVE - UM RETRATO DAS GENTES DE CARÇÃO", sempre participando em todas edições anuais dessa revista, com editoriais, artigos, crônicas e toda a arte necessária para essa fantástica revista, uma revista de primeiro mundo. Em 2003, na Escola Superior de Educação Jean Piaget/Nordeste, com as "Primeiras Jornadas de Cimema Científico", onde participou também em 2003 na "Concepção e realização dos materiais de suporte para o encontro internacional-educação, políticas educativas e multiculturismo", como também em 2004, nessa escola superior, atividades da Feira da Saúde inserida no programa "Macedo Mostra" e ainda na "Ação de Formação do profissionalismo docente-concepções e práticas de formação e em 2005, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com o VII Colóquio Luso-Brasileiro de História da Arte.
Nas suas competências técnicas, tem aptidões artísticas na Educação, Arte, História, Design, Política, Economia, Marketing, Música, Desporto, Informática e Ciências.
Como dirigente e editor da revista ALMOCREVE, escreveu artigos e editoriais sobre temas como: O culto de Judeus em Carção; Igreja de Santa Cruz; Inquisição - Poder Politico em nome de Deus; A Naveta e o Turibulo de Carção; Carção, um lugar central de comércio na segunda metade do século XX; Cultura Popular. Em Agosto de 2008, fez o Prefácio do livro Carção, a Capital do Marranismo" de António Júlio Andrade e Maria Fernanda Guimarães.
Como vemos estamos diante de um "Mestre de História da Arte em Portugal", transmitindo e criando associações e revistas culturais e participando com editoriais e artigos, crônicas, prefácios, lecionando nos mais lindos recantos desse nosso Portugal, estudando e formando-se em uma das maiores universidades do mundo, a grandiosa "Faculdade de Letras da Universidade do Porto" e nós aqui no Brasil, recebemos e transmitimos e enviamos as revistas por ele editadas para todos os recantos deste grande Brasil, como também, o nosso maravilhoso jornal Mundo Lusíada publicou e estampou fotos dessa maravilhosa revista "Almocreve", criação dessa magistral figura do mestre PAULO JOSÉ FERNANDES LOPES, para honra e glória do nosso querido e eterno PORTUGAL.
Adriano da Costa Filho
Membro da Casa do Poeta de São Paulo, Movimento Poético Nacional, Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores, Academia Virtual Poética do Brasil, Ordem Nacional dos Escritores do Brasil, Associação Paulista de Imprensa, Associação Portuguesa de Poetas/Lisboa e escreve quinzenalmente para o Jornal Mundo Lusíada.
Fonte: Mundo Lusíada
publicado por India às 08:57, in Diário de Bragança,sapo.pt
"terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Mario de Sá-Carneiro
Aprecio bastante as obras de Mário de Sá-Carneiro, embora muitas pessoas considerem-nas depressivas. Das obras em prosa, vale a pena ler o conto "Loucura", que evidencia o talento do jovem escritor do início do século XX para outros gêneros além da poesia.
Postei abaixo dois poemas: "Quase" e "Como eu não possuo".
A leitura da biografia pode ajudar você a compreender um pouco mais a personalidade do autor, seu estilo, influências de pessoas, situações e lugares que lhe permearam a produção literária.
Abraços,
Cida. Quase
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão ...Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor - quase vivido..
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo...e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas nunca mais fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Mário de Sá-Carneiro
Como eu não possuo
Olho em volta de mim. Todos possuem ---
Um afecto, um sorriso ou um abraço.
Só para mim as ânsias se diluem
E não possuo mesmo quando enlaço.
Roça por mim, em longe, a teoria
Dos espasmos golfados ruivamente;
São êxtases da cor que eu fremiria,
Mas a minh'alma pára e não os sente!
Quero sentir. Não sei... perco-me todo...
Não posso afeiçoar-me nem ser eu
Falta-me egoísmo para ascender ao céu,
Falta-me unção pra me afundar no lodo.
Não sou amigo de ninguém. Pra o ser
Forçoso me era antes possuir
Quem eu estimasse --- ou homem ou mulher,
E eu não logro nunca possuir!...
Castrado de alma e sem saber fixar-me,
Tarde a tarde na minha dor me afundo...
Serei um emigrado doutro mundo
Que nem na minha dor posso encontrar-me?...
Como eu desejo a que ali vai na rua,
Tão ágil, tão agreste, tão de amor...
Como eu quisera emaranhá-la nua,
Bebê-la em espasmos de harmonia e cor!...
Desejo errado... Se a tivera um dia,
Toda sem véus, a carne estilizada
Sob o meu corpo arfando transbordada,
Nem mesmo assim --- ó ânsia! --- eu a teria...
Eu vibraria só agonizante
Sobre o seu corpo de êxtases doirados,
Se fosse aqueles seios transtornados,
Se fosse aquele sexo aglutinante...
De embate ao meu amor todo me ruo,
E vejo-me em destroço até vencendo:
É que eu teria só, sentindo e sendo
Aquilo que estrebucho e não possuo.
Mário de Sá-Carneiro
Sobre o autor
Nasceu, no seio de uma abastada família alto-burguesa, sendo filho e neto de militares. Órfão de mãe com apenas dois anos (1892), ficou entregue ao cuidado dos avós, indo viver para a Quinta da Vitória, na freguesia de Camarate, às portas de Lisboa, aí passando grande parte da infância.
Inicia-se na poesia com doze anos, sendo que aos quinze já traduzia Victor Hugo, e com dezesseis, Goethe e Schiller. No liceu teve ainda algumas experiências episódicas como ator, e começa a escrever.
Em 1911, com dezenove anos, vai para Coimbra, onde se matricula na Faculdade de Direito, mas não conclui sequer o ano. Aí, contudo, viria a conhecer aquele que foi, sem dúvida, o seu melhor e mais compreensivo amigo – Fernando Pessoa –, o qual, em 1912, o introduziu no ciclo dos modernistas.
Desiludido com a «cidade dos estudantes», segue para Paris a fim de prosseguir os estudos superiores, com o auxílio financeiro do pai. Cedo, porém, deixou de frequentar as aulas na Sorbonne, dedicando-se a uma vida boêmia, deambulando pelos cafés e salas de espetáculo, chegando a passar fome e debatendo-se com os seus desesperos, situação que culminou na ligação emocional a uma prostituta, a fim de combater as suas frustrações e desesperos.
Na capital francesa viria a conhecer Guilherme de Santa-Rita (Santa-Rita Pintor). Inadaptado socialmente e psicologicamente instável, foi neste ambiente que compôs grande parte da sua obra poética e a correspondência com o seu confidente Pessoa; é, pois, entre 1912 e 1916 (o ano da sua morte), que se inscreve a sua fugaz – e no entanto assaz profícua – carreira literária.
Entre 1913 e 1914 vai a Lisboa com certa regularidade, regressando à capital devido à deflagração do conflito entre a Sérvia e a Áustria-Hungria, o qual a breve trecho se tornou uma conflagração à escala europeia – a I Guerra Mundial. Com Pessoa e ainda Almada-Negreiros integrou o primeiro grupo modernista português (o qual, influenciado pelo cosmopolitismo e pelas vanguardas culturais europeias, pretendia escandalizar a sociedade burguesa e urbana da época), sendo responsável pela edição da revista literária Orpheu (e que por isso mesmo ficou sendo conhecido como a Geração d’Orpheu ou Grupo d’Orpheu), um verdadeiro escândalo literário à época, motivo pelo qual apenas saíram dois números (Março e Junho de 1915; o terceiro, embora impresso, não foi publicado, tendo os seus autores sido alvo da chacota social) – ainda que hoje seja, reconhecidamente, um dos marcos da história da literatura portuguesa, responsável pela agitação do meio cultural português, bem como pela introdução do modernismo em Portugal.
Em Julho de 1915 regressa a Paris, escrevendo a Pessoa cartas de uma crescente angústia, das quais ressalta não apenas a imagem lancinante de um homem perdido no «labirinto de si próprio», mas também a evolução e maturidade do processo de escrita de Sá-Carneiro.
Uma vez que a vida que trazia não lhe agradava, e aquela que idealizava tardava em se concretizar, Sá-Carneiro entrou numa cada vez maior angústia, que viria a conduzi-lo ao seu suicídio prematuro, perpetrado no Hotel de Nice, no bairro de Montmartre em Paris, com o recurso a cinco frascos de arseniato de estricnina.
Contava tão-só vinte e seis anos. Extravagante tanto na morte como em vida (de que o poema Fim é um dos mais belos exemplos), convidou para presenciar a sua agonia o seu amigo José de Araújo. E apesar de o grupo modernista português ter perdido um dos seus mais significativos colaboradores, nem por isso o entusiasmo dos restantes membros esmoreceu – no segundo número da revista Athena, Pessoa dedicou-lhe um belo texto, apelidando-o de «génio não só da arte como da inovação dela», e dizendo dele, retomando um aforismo das Báquides (IV, 7, 18), de Plauto, que «Morre jovem o que os Deuses amam» (tradução literal de Quem di diligunt adulescens moritur).
Verdadeiro insatisfeito e inconformista (nunca se conseguiu entender com a maior parte dos que o rodeavam, nem tão pouco ajustar-se à vida prática, devido às suas dificuldades emocionais), mas também incompreendido (pelo modo com os contemporâneos olhavam o seu jeito poético), profetizou acertadamente que no futuro se faria jus à sua obra, no que não falhou.
Com efeito, reconhecido no seu tempo apenas por uma fina elite, à medida que a sua obra e correspondência foi publicada, ao longo dos anos, tornou-se acessível ao grande público, sendo atualmente considerado um dos maiores expoentes da literatura moderna em língua portuguesa. (...)
A terra que o acolheu na infância – Camarate –, e a quem ele dedicou também algumas das suas poesias, homenageou-o, conferindo o seu nome a uma escola local. O seu poema Fim foi musicado por um grupo português no final dos anos 1980, os Trovante. Mais tarde, o seu poema O Outro foi também musicado pela cantora brasileira Adriana Calcanhotto.
As suas influências literárias são de Edgar Allan Poe, Oscar Wilde, Charles Baudelaire, Stéphane Mallarmé, Fiódor Dostoievski, Cesário Verde e António Nobre. Este escritor influenciou vários escritores, entre eles Eugénio de Andrade.
Na fase inicial da sua obra, Mário de Sá-Carneiro revela influências de várias correntes literárias, como o decadentismo, o simbolismo, ou o saudosismo, então em franco declínio; posteriormente, por influência de Pessoa, viria a aderir a correntes de vanguarda, como o interseccionismo, o paulismo ou o futurismo.
Nessas pôde exprimir com à-vontade a sua personalidade, sendo notórios a confusão dos sentidos, o delírio, quase a raiar a alucinação; ao mesmo tempo, revela um certo narcisismo e egolatria, ao procurar exprimir o seu inconsciente e a dispersão que sentia do seu «eu» no mundo – revelando a mais profunda incapacidade de se assumir como adulto consistente.
O narcisismo, motivado certamente pelas carências emocionais (era órfão de mãe desde a mais terna puerícia), levou-o ao sentimento da solidão, do abandono e da frustração, traduzível numa poesia onde surge o retrato de um inútil e inapto. A crise de personalidade levá-lo-ia, mais tarde, a abraçar uma poesia onde se nota o frenesi de experiências sensórias, pervertendo e subvertendo a ordem lógica das coisas, demonstrando a sua incapacidade de viver aquilo que sonhava – sonhando por isso cada vez mais com a aniquilação do eu, o que acabaria por o conduzir, em última análise, ao seu suicídio.
Embora não se afaste da metrificação tradicional (redondilhas, decassílabos, alexandrinos), torna-se singular a sua escrita pelos seus ataques à gramática, e pelos jogos de palavras. Se numa primeira fase se nota ainda esse estilo clássico, numa segunda, claramente niilista, a sua poesia fica impregnada de uma humanidade autêntica, triste e trágica.
Por fim, as cartas que trocou com Pessoa, entre 1912 e o seu suicídio, são como que um autêntico diário onde se nota paralelamente o crescimento das suas frustrações interiores.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1rio_de_S%C3%A1-Carneiro
Postado por Cida às 10:55
Fonte: Blog da Cidda
Mario de Sá-Carneiro
Aprecio bastante as obras de Mário de Sá-Carneiro, embora muitas pessoas considerem-nas depressivas. Das obras em prosa, vale a pena ler o conto "Loucura", que evidencia o talento do jovem escritor do início do século XX para outros gêneros além da poesia.
Postei abaixo dois poemas: "Quase" e "Como eu não possuo".
A leitura da biografia pode ajudar você a compreender um pouco mais a personalidade do autor, seu estilo, influências de pessoas, situações e lugares que lhe permearam a produção literária.
Abraços,
Cida. Quase
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão ...Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor - quase vivido..
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo...e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas nunca mais fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Mário de Sá-Carneiro
Como eu não possuo
Olho em volta de mim. Todos possuem ---
Um afecto, um sorriso ou um abraço.
Só para mim as ânsias se diluem
E não possuo mesmo quando enlaço.
Roça por mim, em longe, a teoria
Dos espasmos golfados ruivamente;
São êxtases da cor que eu fremiria,
Mas a minh'alma pára e não os sente!
Quero sentir. Não sei... perco-me todo...
Não posso afeiçoar-me nem ser eu
Falta-me egoísmo para ascender ao céu,
Falta-me unção pra me afundar no lodo.
Não sou amigo de ninguém. Pra o ser
Forçoso me era antes possuir
Quem eu estimasse --- ou homem ou mulher,
E eu não logro nunca possuir!...
Castrado de alma e sem saber fixar-me,
Tarde a tarde na minha dor me afundo...
Serei um emigrado doutro mundo
Que nem na minha dor posso encontrar-me?...
Como eu desejo a que ali vai na rua,
Tão ágil, tão agreste, tão de amor...
Como eu quisera emaranhá-la nua,
Bebê-la em espasmos de harmonia e cor!...
Desejo errado... Se a tivera um dia,
Toda sem véus, a carne estilizada
Sob o meu corpo arfando transbordada,
Nem mesmo assim --- ó ânsia! --- eu a teria...
Eu vibraria só agonizante
Sobre o seu corpo de êxtases doirados,
Se fosse aqueles seios transtornados,
Se fosse aquele sexo aglutinante...
De embate ao meu amor todo me ruo,
E vejo-me em destroço até vencendo:
É que eu teria só, sentindo e sendo
Aquilo que estrebucho e não possuo.
Mário de Sá-Carneiro
Sobre o autor
Nasceu, no seio de uma abastada família alto-burguesa, sendo filho e neto de militares. Órfão de mãe com apenas dois anos (1892), ficou entregue ao cuidado dos avós, indo viver para a Quinta da Vitória, na freguesia de Camarate, às portas de Lisboa, aí passando grande parte da infância.
Inicia-se na poesia com doze anos, sendo que aos quinze já traduzia Victor Hugo, e com dezesseis, Goethe e Schiller. No liceu teve ainda algumas experiências episódicas como ator, e começa a escrever.
Em 1911, com dezenove anos, vai para Coimbra, onde se matricula na Faculdade de Direito, mas não conclui sequer o ano. Aí, contudo, viria a conhecer aquele que foi, sem dúvida, o seu melhor e mais compreensivo amigo – Fernando Pessoa –, o qual, em 1912, o introduziu no ciclo dos modernistas.
Desiludido com a «cidade dos estudantes», segue para Paris a fim de prosseguir os estudos superiores, com o auxílio financeiro do pai. Cedo, porém, deixou de frequentar as aulas na Sorbonne, dedicando-se a uma vida boêmia, deambulando pelos cafés e salas de espetáculo, chegando a passar fome e debatendo-se com os seus desesperos, situação que culminou na ligação emocional a uma prostituta, a fim de combater as suas frustrações e desesperos.
Na capital francesa viria a conhecer Guilherme de Santa-Rita (Santa-Rita Pintor). Inadaptado socialmente e psicologicamente instável, foi neste ambiente que compôs grande parte da sua obra poética e a correspondência com o seu confidente Pessoa; é, pois, entre 1912 e 1916 (o ano da sua morte), que se inscreve a sua fugaz – e no entanto assaz profícua – carreira literária.
Entre 1913 e 1914 vai a Lisboa com certa regularidade, regressando à capital devido à deflagração do conflito entre a Sérvia e a Áustria-Hungria, o qual a breve trecho se tornou uma conflagração à escala europeia – a I Guerra Mundial. Com Pessoa e ainda Almada-Negreiros integrou o primeiro grupo modernista português (o qual, influenciado pelo cosmopolitismo e pelas vanguardas culturais europeias, pretendia escandalizar a sociedade burguesa e urbana da época), sendo responsável pela edição da revista literária Orpheu (e que por isso mesmo ficou sendo conhecido como a Geração d’Orpheu ou Grupo d’Orpheu), um verdadeiro escândalo literário à época, motivo pelo qual apenas saíram dois números (Março e Junho de 1915; o terceiro, embora impresso, não foi publicado, tendo os seus autores sido alvo da chacota social) – ainda que hoje seja, reconhecidamente, um dos marcos da história da literatura portuguesa, responsável pela agitação do meio cultural português, bem como pela introdução do modernismo em Portugal.
Em Julho de 1915 regressa a Paris, escrevendo a Pessoa cartas de uma crescente angústia, das quais ressalta não apenas a imagem lancinante de um homem perdido no «labirinto de si próprio», mas também a evolução e maturidade do processo de escrita de Sá-Carneiro.
Uma vez que a vida que trazia não lhe agradava, e aquela que idealizava tardava em se concretizar, Sá-Carneiro entrou numa cada vez maior angústia, que viria a conduzi-lo ao seu suicídio prematuro, perpetrado no Hotel de Nice, no bairro de Montmartre em Paris, com o recurso a cinco frascos de arseniato de estricnina.
Contava tão-só vinte e seis anos. Extravagante tanto na morte como em vida (de que o poema Fim é um dos mais belos exemplos), convidou para presenciar a sua agonia o seu amigo José de Araújo. E apesar de o grupo modernista português ter perdido um dos seus mais significativos colaboradores, nem por isso o entusiasmo dos restantes membros esmoreceu – no segundo número da revista Athena, Pessoa dedicou-lhe um belo texto, apelidando-o de «génio não só da arte como da inovação dela», e dizendo dele, retomando um aforismo das Báquides (IV, 7, 18), de Plauto, que «Morre jovem o que os Deuses amam» (tradução literal de Quem di diligunt adulescens moritur).
Verdadeiro insatisfeito e inconformista (nunca se conseguiu entender com a maior parte dos que o rodeavam, nem tão pouco ajustar-se à vida prática, devido às suas dificuldades emocionais), mas também incompreendido (pelo modo com os contemporâneos olhavam o seu jeito poético), profetizou acertadamente que no futuro se faria jus à sua obra, no que não falhou.
Com efeito, reconhecido no seu tempo apenas por uma fina elite, à medida que a sua obra e correspondência foi publicada, ao longo dos anos, tornou-se acessível ao grande público, sendo atualmente considerado um dos maiores expoentes da literatura moderna em língua portuguesa. (...)
A terra que o acolheu na infância – Camarate –, e a quem ele dedicou também algumas das suas poesias, homenageou-o, conferindo o seu nome a uma escola local. O seu poema Fim foi musicado por um grupo português no final dos anos 1980, os Trovante. Mais tarde, o seu poema O Outro foi também musicado pela cantora brasileira Adriana Calcanhotto.
As suas influências literárias são de Edgar Allan Poe, Oscar Wilde, Charles Baudelaire, Stéphane Mallarmé, Fiódor Dostoievski, Cesário Verde e António Nobre. Este escritor influenciou vários escritores, entre eles Eugénio de Andrade.
Na fase inicial da sua obra, Mário de Sá-Carneiro revela influências de várias correntes literárias, como o decadentismo, o simbolismo, ou o saudosismo, então em franco declínio; posteriormente, por influência de Pessoa, viria a aderir a correntes de vanguarda, como o interseccionismo, o paulismo ou o futurismo.
Nessas pôde exprimir com à-vontade a sua personalidade, sendo notórios a confusão dos sentidos, o delírio, quase a raiar a alucinação; ao mesmo tempo, revela um certo narcisismo e egolatria, ao procurar exprimir o seu inconsciente e a dispersão que sentia do seu «eu» no mundo – revelando a mais profunda incapacidade de se assumir como adulto consistente.
O narcisismo, motivado certamente pelas carências emocionais (era órfão de mãe desde a mais terna puerícia), levou-o ao sentimento da solidão, do abandono e da frustração, traduzível numa poesia onde surge o retrato de um inútil e inapto. A crise de personalidade levá-lo-ia, mais tarde, a abraçar uma poesia onde se nota o frenesi de experiências sensórias, pervertendo e subvertendo a ordem lógica das coisas, demonstrando a sua incapacidade de viver aquilo que sonhava – sonhando por isso cada vez mais com a aniquilação do eu, o que acabaria por o conduzir, em última análise, ao seu suicídio.
Embora não se afaste da metrificação tradicional (redondilhas, decassílabos, alexandrinos), torna-se singular a sua escrita pelos seus ataques à gramática, e pelos jogos de palavras. Se numa primeira fase se nota ainda esse estilo clássico, numa segunda, claramente niilista, a sua poesia fica impregnada de uma humanidade autêntica, triste e trágica.
Por fim, as cartas que trocou com Pessoa, entre 1912 e o seu suicídio, são como que um autêntico diário onde se nota paralelamente o crescimento das suas frustrações interiores.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1rio_de_S%C3%A1-Carneiro
Postado por Cida às 10:55
Fonte: Blog da Cidda
Interpretação do Castelo de Ansiães
Centro ajuda a compreender
00h30m
EDUARDO PINTO
Faltava esta peça ao Castelo de Ansiães. Um centro interpretativo para ajudar a compreendê-lo, criado na zona histórica de Carrazeda. Foi inaugurado ontem. Pretende-se que seja o ponto de partida para uma visita ao património do concelho.
No novo imóvel, cujo moderno visual foi encaixado no velho casario para não agredir as vistas, está patente o resultado de anos de investigação nas ruínas da antiga vila amuralhada. Ali podem ser observadas diversas peças romanas e símbolos, entre outros materiais encontrados durante as escavações arqueológicas. E também a explicação sintética sobre todos eles.
"É uma peça imprescindível para compreender o castelo", frisa o arqueólogo Luís Pereira, que em 1994 iniciou a investigação na vila amuralhada. Mas não só. O presidente da Câmara de Carrazeda de Ansiães, José Luís Correia, entende que o novo equipamento também é "uma mais-valia para ajudar a despertar o interesse pelo património arqueológico do concelho". Luís Pereira reputa o centro interpretativo como uma "infra-estrutura fundamental para dinamizar o turismo cultural e patrimonial". Ora, na sua opinião, o turista deveria dirigir-se ali em primeiro lugar, sendo depois orientado para os pontos de interesse. É essa a intenção do autarca. "Dele partirão iniciativas, no sentido de os fazer chegar aos mais diversos locais do concelho onde haja património", sublinha.
O Castelo de Ansiães data do terceiro milénio antes de Cristo, foi classificado monumento nacional em 1910 e é a principal jóia do património monumental e histórico de Carrazeda de Ansiães. A ruína da igreja de São João Baptista (fora da muralha) é uma das mais antigas do país. A de São Salvador (dentro de muros) é considerada pelos entendidos uma "jóia" no panorama românico português. O pórtico é mesmo um dos quatro existentes no país.
Entre 1994 a 2005 foram feitas intervenções durante o mês de Agosto em toda a área da vila amuralhada, que ocupa cerca de três hectares. Luís Pereira lembra que juntava equipas de estudantes de arqueologia, oriundos de universidades nacionais e estrangeiras, para escavarem voluntariamente. "É dessa investigação que agora apresentamos os resultados", frisa.
Porém, o arqueólogo entende que há muito mais para fazer. "O ideal seria transformar todo o espaço da vila amuralhada numa imensa ruína com discurso". Tem como fundamental continuar a levantar os derrubes, ou seja, o que resta das paredes das antigas casas, processos de restauro e conservação, bem como manter uma "investigação permanente". Isto sem dispensar a criação de uma sinalética própria para que quem vá livremente ao castelo possa "entender o que foi o sítio, a sua importância e o que representa para toda a região de Trás-os-Montes e Alto Douro".
Sobre o Castelo de Ansiães, que tem posto de recepção junto à igreja de São João Baptista, foram já publicadas algumas brochuras e há muita informação disponível na Internet, em www.castelodeansiaes.com.
Fonte:JN.PT
00h30m
EDUARDO PINTO
Faltava esta peça ao Castelo de Ansiães. Um centro interpretativo para ajudar a compreendê-lo, criado na zona histórica de Carrazeda. Foi inaugurado ontem. Pretende-se que seja o ponto de partida para uma visita ao património do concelho.
No novo imóvel, cujo moderno visual foi encaixado no velho casario para não agredir as vistas, está patente o resultado de anos de investigação nas ruínas da antiga vila amuralhada. Ali podem ser observadas diversas peças romanas e símbolos, entre outros materiais encontrados durante as escavações arqueológicas. E também a explicação sintética sobre todos eles.
"É uma peça imprescindível para compreender o castelo", frisa o arqueólogo Luís Pereira, que em 1994 iniciou a investigação na vila amuralhada. Mas não só. O presidente da Câmara de Carrazeda de Ansiães, José Luís Correia, entende que o novo equipamento também é "uma mais-valia para ajudar a despertar o interesse pelo património arqueológico do concelho". Luís Pereira reputa o centro interpretativo como uma "infra-estrutura fundamental para dinamizar o turismo cultural e patrimonial". Ora, na sua opinião, o turista deveria dirigir-se ali em primeiro lugar, sendo depois orientado para os pontos de interesse. É essa a intenção do autarca. "Dele partirão iniciativas, no sentido de os fazer chegar aos mais diversos locais do concelho onde haja património", sublinha.
O Castelo de Ansiães data do terceiro milénio antes de Cristo, foi classificado monumento nacional em 1910 e é a principal jóia do património monumental e histórico de Carrazeda de Ansiães. A ruína da igreja de São João Baptista (fora da muralha) é uma das mais antigas do país. A de São Salvador (dentro de muros) é considerada pelos entendidos uma "jóia" no panorama românico português. O pórtico é mesmo um dos quatro existentes no país.
Entre 1994 a 2005 foram feitas intervenções durante o mês de Agosto em toda a área da vila amuralhada, que ocupa cerca de três hectares. Luís Pereira lembra que juntava equipas de estudantes de arqueologia, oriundos de universidades nacionais e estrangeiras, para escavarem voluntariamente. "É dessa investigação que agora apresentamos os resultados", frisa.
Porém, o arqueólogo entende que há muito mais para fazer. "O ideal seria transformar todo o espaço da vila amuralhada numa imensa ruína com discurso". Tem como fundamental continuar a levantar os derrubes, ou seja, o que resta das paredes das antigas casas, processos de restauro e conservação, bem como manter uma "investigação permanente". Isto sem dispensar a criação de uma sinalética própria para que quem vá livremente ao castelo possa "entender o que foi o sítio, a sua importância e o que representa para toda a região de Trás-os-Montes e Alto Douro".
Sobre o Castelo de Ansiães, que tem posto de recepção junto à igreja de São João Baptista, foram já publicadas algumas brochuras e há muita informação disponível na Internet, em www.castelodeansiaes.com.
Fonte:JN.PT
Para reflectir..
"A nona bem-aventurança
DN 2010.04.12
JOÃO CÉSAR DAS NEVES
Um dos fenómenos mais espantosos da história da humanidade é o ataque
à Igreja. Esse processo, tão aceso estes dias, é sempre muito curioso.
Primeiro pela duração e persistência. Há 2000 anos que os discípulos
de Cristo são perseguidos, como o próprio Jesus profetizou. E cada
ataque, uma vez começado, permanece. A Igreja é a única instituição a
que se assacam responsabilidades pelo acontecido há 100, 500 ou 1500
anos. Os cristãos actuais são criticados pela Inquisição do século
XVII, missionação ultramarina desde o século XV, cruzadas dos séculos
XI-XIII, até pela política do século V (no recente filme Ágora, de
Alejandro Amenábar, 2009).
Depois, como notou G. K. Chesterton em 1908, o cristianismo foi
atacado "por todos os lados e com todos os argumentos , por mais que
esses argumentos se opusessem entre si" (Orthodoxy, c. VI). Vemos
criticar a Igreja por ser tímida e sanguinária, pessimista e ingénua,
laxista e fanática, ascética e luxuosa, contra o sexo e a favor da
procriação, etc. Mas o mais espantoso é que os ataques conseguem
convencer-nos daquilo que é o oposto da evidência mais esmagadora.
Os iluministas provaram-nos que a religião cristã é a principal
inimiga da ciência; supersticiosa, obscurantista, persecutória do
estudo e investigação rigorosos. A evidência histórica mostra o
inverso. A dívida intelectual da humanidade à Igreja é enorme. Devemos
a multidões de monges copistas a preservação da sabedoria clássica.
Quase tudo o que sabemos da Antiguidade pagã veio dos mosteiros. Foi a
Igreja que criou as primeiras universidades e o debate académico
moderno. Eram cristãos devotos os grandes pioneiros da ciência, como
Kepler, Pascal, Newton, Leibniz, Bayes, Euler, Cauchy, Mendel,
Pasteur, etc. Até o caso de Galileu, sempre citado e distorcido,
mostra o oposto do que dizem.
Depois, os jacobinos asseguraram-nos que a Igreja é culpada de
terríveis perseguições religiosas, étnicas e sociais, destruição
cultural de múltiplos povos, amiga de fogueiras e câmaras de tortura,
chacinas, saques e genocídios. No entanto, a evidência de 2000 anos de
história real de cristãos concretos é de caridade, mediação,
pacifismo. Tudo o que o nosso tempo sabe de direitos humanos,
diplomacia, cooperação e tolerância foi bebê-lo a autores cristãos.
A seguir, os marxistas vieram atacar a Igreja por ser contra os
proletários e a favor dos ricos. Quando é evidente o cuidado
permanente, multissecular e pluricultural dos cristãos pelos pobres e
infelizes, e as maravilhas sociais da solidariedade católica no apoio
aos desfavorecidos.
Vivemos hoje talvez o caso mais aberrante: a Igreja é condenada por...
pedofilia. A queixa é de desregramento sexual, deboche, perversão. Mas
a evidência histórica mostra que nenhuma outra entidade fez mais pelo
equilíbrio da sexualidade e a moralização da vida pessoal da
humanidade. Mais uma vez, o ataque nasce do oposto da verdade.
Serão as acusações contra a Igreja falsas? Elas partem sempre de um
núcleo verdadeiro. Houve cristãos obscurantistas, persecutórios,
cruéis, injustos, luxuosos, como hoje há padres pedófilos. Aliás, em
2000 anos de história, e agora com mais de mil milhões de fiéis, tem
de haver de tudo. A distorção está na generalização ao todo de casos
particulares aberrantes. Não sendo tão má quanto o mito, a Inquisição
foi péssima. Mas a Inquisição não representa a Igreja e a própria
Igreja da época a condenou. Os críticos nunca combatem os erros,
sempre a instituição. Hoje não se ataca a pedofilia na Igreja, mas a
Igreja pedófila.
A razão do paradoxo é clara. Cada época projecta na Igreja os seus
próprios fantasmas. Ninguém atropelou mais o rigor científico que os
iluministas. Ninguém foi mais sangrento que os jacobinos. Ninguém
gerou maior pobreza que os marxistas. Ninguém tem mais desregramento
sexual que o nosso tempo.
O ataque à Igreja é uma constante histórica. A História muda. A Igreja
permanece. Porque ela é Cristo. Dela é a nona bem-aventurança:
"Bem-aventurados sereis quando vos insultarem e perseguirem" (Mt 5,
11)."
Fonte:DN
DN 2010.04.12
JOÃO CÉSAR DAS NEVES
Um dos fenómenos mais espantosos da história da humanidade é o ataque
à Igreja. Esse processo, tão aceso estes dias, é sempre muito curioso.
Primeiro pela duração e persistência. Há 2000 anos que os discípulos
de Cristo são perseguidos, como o próprio Jesus profetizou. E cada
ataque, uma vez começado, permanece. A Igreja é a única instituição a
que se assacam responsabilidades pelo acontecido há 100, 500 ou 1500
anos. Os cristãos actuais são criticados pela Inquisição do século
XVII, missionação ultramarina desde o século XV, cruzadas dos séculos
XI-XIII, até pela política do século V (no recente filme Ágora, de
Alejandro Amenábar, 2009).
Depois, como notou G. K. Chesterton em 1908, o cristianismo foi
atacado "por todos os lados e com todos os argumentos , por mais que
esses argumentos se opusessem entre si" (Orthodoxy, c. VI). Vemos
criticar a Igreja por ser tímida e sanguinária, pessimista e ingénua,
laxista e fanática, ascética e luxuosa, contra o sexo e a favor da
procriação, etc. Mas o mais espantoso é que os ataques conseguem
convencer-nos daquilo que é o oposto da evidência mais esmagadora.
Os iluministas provaram-nos que a religião cristã é a principal
inimiga da ciência; supersticiosa, obscurantista, persecutória do
estudo e investigação rigorosos. A evidência histórica mostra o
inverso. A dívida intelectual da humanidade à Igreja é enorme. Devemos
a multidões de monges copistas a preservação da sabedoria clássica.
Quase tudo o que sabemos da Antiguidade pagã veio dos mosteiros. Foi a
Igreja que criou as primeiras universidades e o debate académico
moderno. Eram cristãos devotos os grandes pioneiros da ciência, como
Kepler, Pascal, Newton, Leibniz, Bayes, Euler, Cauchy, Mendel,
Pasteur, etc. Até o caso de Galileu, sempre citado e distorcido,
mostra o oposto do que dizem.
Depois, os jacobinos asseguraram-nos que a Igreja é culpada de
terríveis perseguições religiosas, étnicas e sociais, destruição
cultural de múltiplos povos, amiga de fogueiras e câmaras de tortura,
chacinas, saques e genocídios. No entanto, a evidência de 2000 anos de
história real de cristãos concretos é de caridade, mediação,
pacifismo. Tudo o que o nosso tempo sabe de direitos humanos,
diplomacia, cooperação e tolerância foi bebê-lo a autores cristãos.
A seguir, os marxistas vieram atacar a Igreja por ser contra os
proletários e a favor dos ricos. Quando é evidente o cuidado
permanente, multissecular e pluricultural dos cristãos pelos pobres e
infelizes, e as maravilhas sociais da solidariedade católica no apoio
aos desfavorecidos.
Vivemos hoje talvez o caso mais aberrante: a Igreja é condenada por...
pedofilia. A queixa é de desregramento sexual, deboche, perversão. Mas
a evidência histórica mostra que nenhuma outra entidade fez mais pelo
equilíbrio da sexualidade e a moralização da vida pessoal da
humanidade. Mais uma vez, o ataque nasce do oposto da verdade.
Serão as acusações contra a Igreja falsas? Elas partem sempre de um
núcleo verdadeiro. Houve cristãos obscurantistas, persecutórios,
cruéis, injustos, luxuosos, como hoje há padres pedófilos. Aliás, em
2000 anos de história, e agora com mais de mil milhões de fiéis, tem
de haver de tudo. A distorção está na generalização ao todo de casos
particulares aberrantes. Não sendo tão má quanto o mito, a Inquisição
foi péssima. Mas a Inquisição não representa a Igreja e a própria
Igreja da época a condenou. Os críticos nunca combatem os erros,
sempre a instituição. Hoje não se ataca a pedofilia na Igreja, mas a
Igreja pedófila.
A razão do paradoxo é clara. Cada época projecta na Igreja os seus
próprios fantasmas. Ninguém atropelou mais o rigor científico que os
iluministas. Ninguém foi mais sangrento que os jacobinos. Ninguém
gerou maior pobreza que os marxistas. Ninguém tem mais desregramento
sexual que o nosso tempo.
O ataque à Igreja é uma constante histórica. A História muda. A Igreja
permanece. Porque ela é Cristo. Dela é a nona bem-aventurança:
"Bem-aventurados sereis quando vos insultarem e perseguirem" (Mt 5,
11)."
Fonte:DN
domingo, 18 de abril de 2010
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